sábado, 25 de Outubro de 2014

Homens na América


Caçadores recolectores do Paleolítico terão chegado às montanhas dos Andes há cerca de 12 800 anos, quase dois mil anos mais cedo do que se pensava anteriormente.
A descoberta, publicada na revista Science, sugere que os primeiros habitantes da América do Sul terão rapidamente se espalhado pelo continente e não lentamente como se pensava.
O autor do estudo, Kurt Rademaker, descobriu vestígios humanos em Pucuncho, a 4267 metros, nos Andes peruanos, zona com muita água, erva e vicuñas (parente do Lama).
Ao explorar esta zona Rademaker encontrou um antigo acampamento, assim como dois locais de exploração de obsidiana, pedra utilizada para fazer instrumentos. Na escavação foi possível recuperar pontas de seta e datar carvão e ossos de animais com o método de Carbono 14.
Os novos achados também demonstram que a adaptação à vida em locais altos foi mais rápida do que se pensava anteriormente.

 Photo of the Vicuñas in the Pucuncho Basin.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Origem genética dos europeus modernos


Um estudo divulgado pela revista científica Nature defende que os europeus modernos descendem de, pelo menos, três grupos de antepassados. Depois dos agricultores e caçadores-coletores, o estudo aponta agora para uma terceira contribuição genética, do norte da Eurásia.
A história remonta há cerca de 7.500 anos. Os primeiros agricultores chegam do Médio Oriente e entram em contacto com os caçadores-coletores que viviam na Europa há dezenas de milhares de anos.

Os trabalhos de pesquisa em genética e arqueologia dos últimos 10 anos revelam que todos os europeus modernos descendem da mistura destas duas populações. Mas, uma equipa internacional de mais de uma centena de investigadores, liderado por David Reich (da Universidade de Harvard, Estados Unidos) e Johannes Krause (Universidade de Tübingen, Alemanha), colocou em evidência, uma terceira contribuição, do norte da Eurásia, de uma região que ocupa grande parte da atual Rússia até o norte da Ásia.

Estes antigos eurasianos do norte chegaram à Europa pouco tempo depois da introdução da agricultura. Os investigadores sequenciaram o ADN de mais de 2.300 pessoas e de nove esqueletos antigos, oito caçadores-coletores (que viveram há cerca de 8.000 anos) e um agricultor, que viveu por volta de 7.000 anos atrás. Foram igualmente investigados dados genéticos de outros homens antigos do mesmo período.
A influência relativa de cada um dos três grupos varia de acordo com as populações europeias. A contribuição dos antepassados da Eurásia do Norte é a menor, nunca ultrapassando 20% do total.

Arte rupestre na Ásia

Arqueólogos descobriram uma mão pintada numa caverna da Indonésia que foi datada com cerca de 39 000 anos, tornando-se assim numa das mais antigas imagens do mundo.
A descoberta foi feita na ilha de Sulawesi e expandiu vastamente a geografia dos primeiros artistas das cavernas que durante imenso tempo se pensou que apenas existiam na Pré-História Europeia.
O artigo publicado na revista Nature apresenta imagens de mãos e de um babirussa (espécie quase extinta na atualidade).
O arqueólogo Maxime Aubert, da Universidade de Griffith na Austrália, um dos autores do artigo, refere que na arte rupestre a maioria das representações são de grandes e, geralmente, perigosas espécies de mamíferos, que provavelmente tinham um importante papel no sistema de crenças da pessoas da época.
Um outro perito, Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, prevê que outros exemplos, até mais antigos, de arte serão encontrados noutros locais, provavelmente até em África, berço da humanidade.

A photo of the oldest hand stencil in the world, dated to 39,000 years ago.   Uranium traces reveal the earliest possible dates for a hand stencil and female babirusa (a hoglike animal also called a pig-deer) painted in Sulawesi's Leang Timpuseng cave.

A dieta dos Gladiadores romanos


Na antiga cidade de Éfeso, na costa ocidental da Turquia, junto ao mar Mediterrânico, foi descoberto um cemitério de gladiadores, com dezenas de ossadas e algumas campas, f em 1993. Os gladiadores eram escravos, criminosos ou prisioneiros obrigados a combater em duelos públicos financiados pela classe alta romana para entreter o povo.
Um artigo científico conclui que a dieta destes homens era maioritariamente à base de vegetais e com a ingestão de poucas proteínas de origem animal. De uma forma geral, a sua dieta era semelhante à dos outros cidadãos de Éfeso, mas havia uma diferença curiosa.
Os ossos dos gladiadores apresentam níveis mais altos do elemento químico estrôncio do que o resto dos habitantes da cidade. Para os autores desta investigação, esta característica poderá dever-se a um cocktail de cinzas de plantas que os lutadores tomavam depois das lutas.
“As cinzas são mencionadas por Plínio, o Velho [naturalista romano], na obra História Natural, como um remédio depois dos exercícios de luta [dos gladiadores]”, explica Fabian Kanz,  da Universidade de Viena, na Áustria, um dos cientistas que estudou entre 2000 e 2010 as ossadas encontradas em Éfeso. “A função desta solução deveria ser semelhante à do cálcio efervescente e à das barras de manganês que se encontram hoje nas farmácias.” Estas cinzas poderão ter sido oriundas da queima da madeira de “cedros, pinheiros e carvalhos”, refere o artigo.
Fabian Kanz deixa-nos uma possível receita para esse cocktail: “Pensamos que a cinza poderia ser dissolvida numa mistura de vinagre e água — uma bebida romana normal — e talvez fosse adicionado mel para adoçar.”

Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/gladiadores-romanos-bebiam-um-cocktail-de-cinzas-para-fortalecer-os-ossos-1673561



Os Neandertais e a espécie humana


A descoberta, por acidente, de um fémur humano, junto a um rio da Sibérica levou a surpreendentes conclusões por parte de cientistas. 
Após datação do osso, com radiocarbono 14, concluiu-se que o homem de Ust’-Ishim (nome da localidade onde foi encontrado o osso) viveu na zona euroasiática há cerca de 45 000 anos, sendo assim o mais antigo fóssil da nossa espécie a ser datado. O seu ADN foi então sequenciado, revelando várias informações.
Os cientistas que estudaram este achado, quiseram estimar a quantidade de ADN de neandertal presente no ADN do homem de Ust’-Ishim, uma vez que ele terá vivido numa altura em que os neandertais ainda não estavam extintos. Descobriram que o genoma desse homem antigo tinha uma percentagem de origem neandertal equivalente à dos europeus actuais: cerca de 2%. Porém, dada a sua antiguidade, os fragmentos de ADN de neandertal eram muito mais compridos do que no ADN humano de hoje, porque o ADN ainda não tinha tido tempo de se fragmentar ao longo das gerações. 
A cientista Janet Kelso afirma que, “isso permitiu-nos estimar que os antepassados do homem de Ust’-Ishim se misturaram com os neandertais entre 7000 e 13.000 anos antes dele nascer”. 
Até agora, os cálculos apontavam para essa mistura genética ter acontecido há 37.000 a 86.000 anos. Agora, esse intervalo ficou mais estreito: o homem moderno e os neandertais terão procriado há 50.000 a 60.000 anos – ou seja, quase na mesma altura em que se deu a grande expansão dos humanos modernos na Eurásia.

Para mais informação lê em:
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/sequenciado-genoma-de-humano-moderno-mais-antigo-de-sempre-1673792